Quando um relacionamento termina e há crianças envolvidas, o fim não é completo. Você e o seu ex-parceiro estarão nas vidas um do outro — através de eventos escolares, decisões médicas, feriados e os mil pequenos momentos da criação dos filhos — durante anos. A forma como gerem essa relação contínua importa enormemente: para os seus filhos, para o seu próprio bem-estar e para a sua capacidade de construir novas vidas.
A Base: Manter as Crianças Fora do Meio
As crianças são mais prejudicadas no divórcio e na separação não pela separação em si, mas por serem colocadas no meio do conflito parental. Isto significa:
- Não falar negativamente sobre o outro progenitor na frente das crianças — nem mesmo indiretamente
- Não usar as crianças para obter informações sobre a vida do outro progenitor
- Não pedir às crianças para tomarem partido ou agirem como mensageiras
- Não fazer as crianças sentirem-se culpadas por amarem ambos os progenitores
- Não discutir ou ter conversas acaloradas onde as crianças possam ver ou ouvir
As crianças precisam de permissão para amar ambos os progenitores. Quando essa permissão é claramente dada, elas ajustam-se significativamente melhor à estrutura familiar alterada.
Gerir a Relação de Coparentalidade
Trate-a como uma relação de negócios
Isto pode parecer frio, mas é genuinamente útil: a relação de coparentalidade é uma parceria funcional focada num projeto partilhado (o bem-estar dos seus filhos), não uma relação pessoal. As relações de negócios têm um investimento emocional limitado, limites claros e comunicação consistente em torno de objetivos partilhados específicos. É isso que funciona aqui. A amizade ou o calor podem desenvolver-se ao longo do tempo — ou podem não se desenvolver — mas a relação funcional de coparentalidade pode funcionar independentemente disso.
Comunique sobre os filhos, não sobre a sua relação
Mantenha a comunicação de coparentalidade estritamente focada nas crianças: horários, saúde, escola, atividades. Isto reduz as oportunidades para as antigas dinâmicas relacionais ressurgirem nas interações de coparentalidade. Mensagens de texto e e-mails funcionam melhor do que chamadas telefónicas para muitos coparentais, pois criam um registo escrito e reduzem a carga emocional da conversa em tempo real.
A consistência entre os lares é importante
As crianças ajustam-se melhor quando as regras básicas, os horários e as expectativas são consistentes entre as suas duas casas. Isto não requer lares idênticos — apenas um alinhamento geral nas coisas que importam para a estabilidade das crianças: horas de deitar, expectativas de trabalhos de casa, tempo de ecrã e respeito pelas regras do outro progenitor.
Resolva conflitos fora da presença das crianças — e idealmente através de meios estruturados
Quando surgirem desacordos — e eles surgirão — resolva-os por escrito, em mediação, ou na presença de um profissional, em vez de na frente das crianças ou em chamadas telefónicas acaloradas. Aplicações de coparentalidade (como OurFamilyWizard ou TalkingParents) criam um canal estruturado e documentado para a comunicação de coparentalidade que muitas pessoas consideram reduzir conflitos.
Quando a Coparentalidade é Genuinamente Difícil
Algumas relações de coparentalidade envolvem um ex-parceiro manipulador, de alto conflito, ou simplesmente indisposto a cooperar. Nestas situações, proteger-se a si e aos seus filhos pode significar limitar a comunicação ao mínimo necessário, envolver advogados ou mediadores, documentar interações e focar-se no que pode controlar em vez de tentar mudar o comportamento do seu ex-parceiro.
Não pode forçar alguém a ser um bom coparental. Pode criar uma estrutura que limite os danos que causam e dê aos seus filhos a versão mais estável da situação que for possível.
Cuidar de Si
A coparentalidade é emocionalmente exigente. Ter o seu próprio apoio — terapia, pessoas de confiança na sua vida, tempo que seja genuinamente seu — não é um luxo. É o que o torna disponível para os seus filhos, e é o que impede que a relação de coparentalidade consuma mais da sua energia do que o necessário.
Está a navegar pelos desafios da coparentalidade? Trabalho com pais nesta situação regularmente. Entre em contacto.