O abuso emocional é mais difícil de reconhecer do que o abuso físico — não deixa evidências visíveis, escala gradualmente e funciona fazendo com que duvide da sua própria perceção do que está a acontecer. Quando muitas pessoas se apercebem do que têm vindo a experienciar, já foram também completamente convencidas de que a culpa é delas.

A informação aqui presente destina-se a ajudá-lo(a) a ver com clareza.

Por que é Difícil Identificar o Abuso Emocional

O abuso físico tem uma linha clara: ou aconteceu, ou não. O abuso emocional opera na linguagem, no tom, no silêncio e em padrões — coisas que são muito mais fáceis de desculpar. O(a) parceiro(a) abusivo(a) tem frequentemente uma explicação pronta para cada incidente. E com o tempo, essas explicações também se tornam as suas explicações.

Isto chama-se gaslighting, e é um dos principais mecanismos do abuso emocional: minar sistematicamente a confiança de alguém na sua própria perceção até que esta dependa do(a) abusador(a) para saber o que é real.

Sinais Comuns de Abuso Emocional

Crítica e humilhação constantes

A crítica regular à sua aparência, inteligência, forma de educar os filhos, trabalho, escolhas ou caráter — especialmente na frente de outros — tem como objetivo minar a autoestima. Pode ser apresentada como "honestidade" ou "apenas a tentar ajudá-lo(a) a melhorar". O teste é se o feedback alguma vez o(a) faz sentir melhor, ou se consistentemente o(a) faz sentir pequeno(a) e errado(a).

Desdém

Revirar os olhos, zombar, menosprezar, troçar — estas expressões de desdém comunicam que está abaixo deles, que os seus pensamentos e sentimentos são ridículos, que não é digno(a) de respeito básico. A investigação de Gottman identifica o desdém como o preditor mais forte de fracasso de relacionamento — porque não é apenas conflito, é a comunicação de um desrespeito fundamental.

Gaslighting

Os sinais de que está a ser vítima de gaslighting incluem: duvidar frequentemente da sua própria memória, sentir-se confuso(a) sobre as suas próprias reações, pedir desculpa constantemente por coisas que não tem a certeza se fez, sentir que está a enlouquecer, e ceder consistentemente à versão dos eventos do(a) seu(sua) parceiro(a), mesmo quando não corresponde à sua experiência.

Controlo disfarçado de cuidado

Controlar o que veste, quem vê, para onde vai, como gasta dinheiro, ou o que come — envolto em "Estou apenas preocupado(a) consigo" ou "Quero o melhor para nós". O cuidado implica apoiar a sua autonomia. O controlo implica restringi-la.

Ameaças e intimidação

Ameaçar ir embora, ameaçar levar os filhos, ameaçar revelar algo, ameaçar autolesão como resposta ao seu comportamento — todas estas são formas de coação usadas para forçar a conformidade e impedi-lo(a) de fazer escolhas livres sobre o relacionamento.

Retenção emocional como punição

Retirar deliberadamente afeto, conversa ou carinho em resposta ao seu comportamento — particularmente quando usado estrategicamente em vez de como resultado de uma dor genuína — é uma forma de controlo. Ensina-o(a) a gerir o seu comportamento para não desencadear a retenção.

Torná-lo(a) responsável pelas suas emoções

"Fizeste-me fazer isto." "Se não agisses assim, eu não ficava assim." Em relacionamentos saudáveis, as pessoas são responsáveis pelas suas próprias reações. Os(As) abusadores(as) emocionais transferem essa responsabilidade para os seus parceiros, tornando o(a) alvo responsável por gerir o(a) estado de espírito, a estabilidade e o comportamento do(a) abusador(a).

Isolamento

Criar sistematicamente distância entre si e o seu sistema de apoio — amigos, família, colegas — de forma a que o(a) seu(sua) abusador(a) se torne a sua principal fonte de informação sobre si mesmo(a), a sua principal fonte de apoio, e a pessoa que controla a narrativa sobre a sua vida.

Como o Abuso Emocional o(a) Afeta

As pessoas que experienciaram abuso emocional ao longo do tempo frequentemente notam:

  • Dificuldade em confiar nas suas próprias perceções e memória
  • Ansiedade crónica, andar em "fios de ovos"
  • Um sentido diminuído de si mesmo(a) — não saber o que pensa, quer ou sente independentemente
  • Sentir-se responsável pelos humores e reações do(a) seu(sua) parceiro(a)
  • Acreditar que é o problema no relacionamento
  • Vergonha em relação ao relacionamento que o(a) impede de procurar ajuda

O Que o Abuso Emocional Não É

Conflito não é abuso. Um(a) parceiro(a) que se zanga, levanta a voz durante uma discussão, ou diz algo desagradável uma vez não é necessariamente um(a) abusador(a). A diferença está no padrão, na intenção e no impacto ao longo do tempo. O abuso é sistemático. Visa o seu sentido de si mesmo(a) e a sua autonomia. E não melhora apenas com conversas ou boa vontade — requer que o(a) parceiro(a) abusivo(a) reconheça e trabalhe ativamente para mudar padrões enraizados, geralmente com apoio profissional.

Se Reconhece Isto

Se o que leu aqui lhe parece familiar, confie nesse reconhecimento. Você não é demasiado sensível. Você não está a imaginar. O que experiencia é real, e você merece apoio para dar sentido a isso.

Deixar relacionamentos emocionalmente abusivos é muitas vezes muito mais difícil do que parece — o isolamento, a autoestima minada e o controlo financeiro podem torná-lo genuinamente difícil. Obter apoio de um(a) terapeuta, de uma pessoa de confiança na sua vida, ou de um recurso de violência doméstica não é um sinal de fraqueza. É como as pessoas em estas situações encontram o seu caminho para sair.

Se está num relacionamento que se assemelha ao descrito aqui, por favor, entre em contacto. Posso ajudá-lo(a) a obter clareza e a tomar decisões que sejam certas para si.

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